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Guterres

08.10.16

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Mesmo sendo difícil esquecer que enquanto Primeiro-Ministro de Portugal não foi brilhante, a eleição de António Guterres para Secretário-Geral da ONU só pode ser, naturalmente, um motivo de orgulho para todos os portugueses.

Recordo-me da sua frase dita com aparente convicção, em momento difícil e ainda em Portugal como PM: “se este governo for colocado entre a espada e a parede, preferirá a espada”. Mas era mesmo só aparente, a convicção. O guterrismo distinguiu-se sempre pelas palavras, negociações e acordos vários, o que o levou a sistemáticas acusações de falta de coragem política por parte da oposição (externa e interna, do PS).

Em muitos momentos exigiam-se medidas menos populares, mas foi sempre dada primazia ao diálogo na tentativa de consensos – e terá sido esta uma das razões que, na altura, “tramou” o engenheiro. Paradoxalmente, agora é uma das principais virtudes que o levou a nono Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas.

Se recuarmos no tempo, facilmente conseguimos lembrar-nos de como a postura dialogante de António Guterres foi absolutamente fundamental para o reconhecimento internacional da independência de Timor, mas hoje o desafio é muitíssimo maior e espera-se que os seus dons na oratória motivem muito mais gente.

Guterres é um diplomata e um humanista e tem o grande mérito de se ter reinventado quando saiu do governo e deixou o país numa espécie de pântano político, tendo em pouco tempo assumido (e bem) o papel que lhe estava no ADN.

Tem também o grande mérito de ter superado um processo de escolha complexo e muitas vezes minado por pressões, como as do ainda Secretário-Geral Ban Ki-moon que fez campanha contra ele, justificando a mesma dizendo que o cargo deveria, nesta fase, ser ocupado por uma mulher.

Como Alto Comissário para os refugiados teve a oportunidade de acompanhar de perto, na ultima década, os seus dramas e o conflito entre as preocupações de segurança e os deveres humanitários - e este será um tema onde mais imediatamente poderá intervir. Mas o terrorismo e as tentativas de diálogo com seres extremistas irracionais, a Síria e outras guerras, serão igualmente situações extremamente desafiantes; como o será também, “em casa” gerir EUA e Rússia, membros do Conselho Permanente em regulares discórdias.

Quando recebeu a recomendação do Conselho de Segurança da ONU, enalteceu as palavras humildade e gratidão no seu discurso. Que elas o guiem por bons caminhos, num mundo onde as movimentações de pessoas atingem números históricos e a guerra e o terrorismo assaltam o pensamento de praticamente todos os mortais.

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